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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Vida de cão

Napoleão era um filhote de  cachorro esperto, morava num apartamento com sua  dona.Logo de manhã pulava na cama para fazer bagunça.
Gostava mesmo era de passear, roer tênis e tudo que encontrasse pela frente, não agüentava a coceira nos dentes que estavam nascendo.
Sua dona vivia em pânico, Napoleão roeu o pé da mesa, das cadeiras, rasgou o estofado do sofá e apareceu com um rato morto na boca. Quase enlouquecida sua dona lhe colocou uma focinheira, uma tragédia para um cachorro tão novo.
Napoleão começou a ficar esquisito, só choramingava  dia e noite. Até que aconteceu um milagre, sua dona se casou e passou a morar com o marido, esse  quando viu Napoleão naquela situação logo lhe tirou a focinheira.

O cão feliz da vida, parou de roer tudo que encontrava, afinal seus dentes já estavam grandes. Adulto,  ele  queria mesmo  era um bom prato de ração, passear de manhã e acordar seus donos com várias lambidas.
Era um cachorro feliz . Morreu já idoso e não deixou descendentes.

domingo, 17 de julho de 2011

O sonho que nem todos sonharam

Entre vales havia uma fazenda, com uma casa bem grande de madeira, toda pintada de branco, no varal roupas alvas dançando com o vento. Desse  cenário saiu José para mais um dia de aula, primeiro atravessa a pinguela, depois uma pequena floresta na qual fizeram uma trilha e onde habitavam muitas cobras, logo a frente um riacho onde as mulheres da colônia lavavam suas roupas.

Subiu por uma barranco entre as casas de sapê e chegou na escola que era feita de madeira e tinha apenas 16 carteiras. Cada fileira com quatro representava uma série de 1ª à 4ª série,  a professora ensinava todos ao mesmo tempo, enquanto corrigia a lição de uma, mandava a outra série copiar, e assim por diante.

 José era apaixonado pela professora, não era amor de homem e mulher, era mais como uma admiração por ela ter tanto conhecimento. passava todo tempo observando a destreza com que ela ensinava cada um, a maioria filhos de colonos pobres que moravam por aquelas bandas. José era diferente, era filho do administrador por isso morava na casa sede a mais confortavel da fazenda.

Ele passava seus dias ajudando o pai na lida e estudando.Adorava ler sua cartilha "caminho suave", (se bem que o caminho que ele fazia até a escola não tinha nada de suave) ficava olhando aquelas letrinhas tentando formar as sílabas que ele desejava escrever.

Muitas vezes pedia para professora lhe dar uma tarefa a mais. Quando aprendia uma palvara nova ficava radiante e tentando encaixa-la em cada frase que falava.

José terminou o primário, foi estudar o normal na cidade vizinha, seu caminho apesar de estar de charrete ainda não era tão suave, seus afazeres na fazenda aumentaram junto com sua altura, suas mão já estavam calejadas, mas  sua vontade de aprender continuava  cada dia maior, principalmente quando lembrava da alegria de sua professora do primário em lhe ensinar as primeiras letras.

Estudava à noite e apesar do cansaço dava conta das matérias. José foi para faculdade, porque o patrão de seu pai resoveu lhe presentear com uma bolsa de estudos.

Mudou de cidade para estudar, morava no centro de uma grande cidade  junto com uma tia e uma prima, trabalhava de dia numa fábrica de calçados e estudava à noite, estava prestes a se tornar um advogado.

Num dia ensolarado saiu como de costume para o trabalho em sua bicicleta, levava no bolso apenas documentos. No meio de uma estrada 03 meninos que não aprentavam mais que 15 anos o abordaram tomaram a bicicleta, lhe bateram e deixaram-no estendido no chão. Quando o socorro chegou já era tarde, José ja tinha dado o ùltimo suspiro.

Mataram seus sonhos, aqueles que nunca na vida puderam sonhar.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O dia da revanche

Era um sujeito muito chato, mau humorado, só sabia por defeito em tudo ao seu redor, mas mesmo assim era um empresário de sucesso e ganhava muito dinheiro.

Tinha empregados, filhos e esposa, essa, nunca o abandonou apesar dos maus tratos. Já velho e no leito de morte tem uma crise de consciência, chama a esposa  e diz:

- Querida me perdoe por ter sido tão ausente e negligente com você durante todos esses anos. Obrigado por me amar tanto e me suportar, deve ter sido muito díficil para você..

A mulher segurando suas mãos, olha profundamente nos olhos dele e responde:

-Isso não foi nada, quando me sentia muito triste eu tirava um extrato bancário e ficava feliz com toda aquela dinherama, e para as noites de solidão comprava uma jóia para me fazer companhia. Você já teve sua utilidade, agora vá em paz.

terça-feira, 22 de março de 2011

Bingo!!!

Não que ele não se importasse mais com ela, apenas não suportava a falação. Se não era da vida da vizinha, era reclamar dos filhos e dele. Cansou, então não ouvia mais, cada vez que ela abria a boca ele começava a pensar consigo " Não é comigo", "não tenho nada com isso" e assim  ia levando a vida.

Meire era uma mulher vistosa, sempre elegante, não tinha um fio de cabelo fora do lugar, em compensação, a língua e o mau humor fazia com que as pessoas se afastassem dela.

Com uma amiga , tão mau humorada quanta ela, começou a frequentar um bingo, desses que são proibidos, André adorou a ideia da mulher ter alguma atividade, ao menos passaria mais tempo com os filhos e não teria que aguentar tanta gritaria, só não imaginou que ela poria em risco todo o orçamento da família.

Aos poucos Meire foi se acostumando com o tal bingo, era cem reais hoje, cinquenta amanhã, até que começou a usar o limite do cheque especial.

André muito desligado, só se deu conta do rombo, quando foi usar o cartão de débito no supermercado e não tinha nenhum saldo. Já era tarde, além do cheque especial, Meire ainda tinha usado todas as opções de crédito do banco e ainda emprestado dinheiro dos parentes.

Naquele dia André se arrependeu de ter sido tão negligente com suas economias, mas prometeu que iria se vingar.

Dito e feito, assim que a mulher saiu para o bingo, deu uma ligada para o local e disse que havia uma bomba no prédio. Todo mundo saiu correndo, a polícia foi chamada e acabou com a festa.

André separou-se de Meire, organizou sua vida financeira, criou os filhos e hoje mora numa ilha no meio do rio Tibagi.

Meire, depois da separação, foi para uma casa de recuperação e em poucos dias fugiu com um bicheiro que nessa altura do campeonato deve estar falido e com problemas auditivos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O pequeno mamoeiro e Luz da lua


Subiu o pequeno mamoeiro pelas escadarias do hospital, carregava na mão Luz da lua, era a primeira vez que saiam juntos, mas estavam gostando.

Luz da lua, sua companheira calada das noites solitárias, ficara no armário o tempo todo esperando pelo dia em que finalmente veria a luz do sol.

O pequeno mamoeiro subiu tranqüilo, nada o faria desistir de seu propósito. Segurou firme Luz da lua e entrou no centro cirúrgico com a convicção que poucas vezes tivera na vida.

Ajeitou os cabelos vestiu-se de acordo com o regulamento e carinhosamente colocou Luz da lua ao lado do seu leito.

Ainda deu uma última olhada na companheira antes de tomar o comprimido que o faria dormir profundamente.
 Acordou horas depois parecendo um embutido, talvez uma salsicha, já estava no apartamento, olhou para o lado a procura da companheira e  nada.
Apertou a campainha e uma enfermeira sorridente  veio ao seu auxilio, perguntou sobre Luz da lua e a moça disse que não tinha visto nada. Insistiu que tinha deixado ao lado do leito antes da cirurgia, saíram todos à procura.
O pequeno mamoeiro estava angustiado. Sem poder movimentar-se, via as pessoas correndo de um lado para outro procurando por sua companheira.
No fim da tarde, após a troca do plantão, eis que aparece a responsável pelo centro cirúrgico, com Luz da lua na mão. Havia resolvido o mistério: O hospital deixou reservado o centro cirúrgico 1, mas na hora da cirurgia o médico disse que  só faria a cirurgia se fosse para o centro cirúrgico 2.
 Então Luz da lua ficou abandonada no CC1 enquanto o pequeno mamoeiro era  operado no CC2.

 O pequeno mamoeiro teve alta no mesmo dia  e seguiu feliz para se recuperar em  casa. Luz da lua antes escondida, agora ocupava um lugar de destaque naquele ambiente.

Uma amizade que parece durar pela vida toda.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A vida às vezes é estranha

"Tudo acabado", foi assim que Mariana ouviu soar aos seus ouvidos aquelas palavras  enfeitadas e delicadas. Ela não era uma mulher dada  sensibilidades, mas sentiu o coração doer nesse momemto. Lembrou  quando conheceu Alberto, um advogado bem sucedido que foi lhe apresentado na prisão.

Ela condenada por pensar demais e diferente dos que a cercavam, sentiu-se protegida pelo Dr famoso de palavras bonitas e educadas. Com ele não precisava explicar nada, nem suas palavras, era compreendida sempre. Comungavam de alguns ideais, mas sabiam das diferenças do mundo de cada um.

Durante seu processo foi conhecendo Alberto,um homem bom e atencioso que  sempre tomava muito cuidado para não magoá-la, embora às vezes ela se tornasse uma verdadeira rebelde.

Não alimentava grandes ilusões, sabia que logo estaria livre, mas que Alberto nunca faria parte do seu futuro, embora fosse isso que mais desejasse na vida.

O tempo passou e como previsto ele conseguiu libertá-la. No dia  em que saiu da prisão Alberto a esperava na frente do presidio com flores brancas. Deu uma carona para ela e quando chegou na frente de seu prédio disse que tinha sido um prazer conhecê-la, mas que agora cada um deveria seguir seu caminho e que sempre que ela precisasse estaria à disposição.

Ela agradeceu, entrou e chorou a noite toda.

Estar  livre nunca foi tão dolorido.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

The end

Marisa não sabia que horas eram. Nem saberia dizer quanto tempo ficou ali sentada olhando o vazio. Curvou-se, pegou um graveto e seguiu para casa. Não amava mais Edilson e as coisa estavam se tornando insuportáveis. Era discussão quase todos os dias, precisava sempre ficar atenta para não passar dos limites e ofendê-lo. Tinha tanto cuidado com ele que às vezes  esquecia de si.

Era o almoço na hora , o café completo na mesa mesmo sabendo que ele só tomaria um café puro. As roupas delicadamente separadas e organizadas, a sola dos sapatos sempre limpas como ele gostava. Mas parecia que nada era capaz de satisfazê-lo, parece que quanto mais se esforçava mais ele exigia. Um  caos. Assim estava sua vida.

Naquela tarde ela arrumou as suas malas e saiu para pensar . Queria ter certeza que esse era o melhor caminho. Depois de algum tempo chegou a conclusão de que era isso mesmo que devia fazer, nem ela nem Edislon estavam felizes juntos, então era hora de partir.

Chegou em casa, pegou as malas e deixou um bilhete no espelho do banheiro que dizia:

"Estou indo buscar a minha felicidade,  meu desejo é que você também encontre a sua."

Com carinho,

Marisa

Depois desse dia Edilson nunca mais ouviu falar de Marisa, até mesmo o divórcio teve que ser assinado por testemunhas. Dizem que ela agora vive numa cidadezinha do interior e que é muito feliz.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Por outros motivos

Todos os domingos a velhinha ia para a igreja. Sentava-se no primeiro banco e ficava ali, imóvel olhando para o púlpito.

Primeiro vinha o louvor, todos empolgados cantando canções religiosas, mas a velhinha nem abria a boca.

O pastor lia a bíblia e explicava o que havia lido. A senhora continuava sentada na mesma posição.Olhava para o pastor, firme, sem desviar o olhar.

Quando acabava o culto o pastor tinha o hábito de cumprimentar os visitantes da igreja, mas a velhinha sempre saia antes e nunca dava tempo de cumprimentá-la.

E assim seguiram-se os meses, ninguém conhecia aquela senhora, mas ela não faltava um domingo sequer e sempre saía antes dos cumprimentos.

O pastor intrigado, aproveitou um dia que tinha um convidado para falar e prostou-se na saída da igreja, queria saber quem era aquela senhora e por que motivos ela nunca se manifestava.

Quando ela saiu ele correu e pegou em sua mão e lhe disse:

-Obrigado pela sua visita, vejo que a senhora vem todos os domingos mas nunca tive o prazer de conhecê-la...

A velhinha respondeu:

- Venho aqui  porque o senhor é parecido com meu finado marido, enquanto  fala eu  fico recordando nossos momentos juntos.

O pastor calou-se, deu um abraço generoso naquela senhora e disse que ela sempre seria bem vinda naquele templo.

Ela continuou indo na igreja  por vários anos, sentando no banco da frente e ouvindo a pregação sem pestanejar , mas daquele dia em diante passou a esperar pelos cumprimentos de todos os irmãos.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Encontro

Alice morava num cidadezinha do interior e prestou vestibular numa capital, passou  e teve que se mudar para lá.

Os primeiros dias foram angustiantes,  não conhecia ninguém e nem sabia usar o ônibus, foi aos poucos se habituando com as novidades.

 Dois meses depois já estava completamente estabelecida na capital. Estudava  dia e noite para ser aprovada. Ligava toda semana para família e se sentia feliz.

Não era uma moça dentro dos padrões de beleza estabelecido pela sociedade, mas era bela.

Aos domingos saía para almoçar, às vezes em restaurante, às vezes na casa de algum amigo.

Seguia assim tranquilamente até o dia que conheceu Alberto, um loiro de olhos azuis, que lhe arrebatou o coração. Depois disso, nunca mais foi a mesma, pensava em Alberto o tempo todo, mal conseguia  se concentrar nos livros.

Alberto que também estudava na mesma universidade que ela parecia não se dar conta da presença de Alice, na verdade ele a ignorava completamente.

Um dia encontraram-se na biblioteca, foi um esbarrão entre uma estante e outra, quando o moço se deu conta estava paralisado olhando para Alice. Nunca na vida tinha visto figura tão bela. Pediu desculpas e aproveitou para perguntar em que ala ela estudava.

Ela respondeu, e desse dia em diante nunca mais se separaram, hoje  estão formados,casaram-se, tem 04 filhos e moram na capital.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O abominável ogro da floresta

Em um reino não muito distante morava um ogro, ele era simpático apesar da maioria das pessoas terem medo dele. Numa cidade próxima do reino morava uma linda princesa (Tá bom, ela não era tão linda assim) que assim como os outros habitantes que não conheciam o ogro, tinha muito medo dele.


Um dia a princesa foi até o reino vizinho solicitar ao rei que parasse de jogar lixo no seu terreno ( naquele tempo já existiam problemas com o meio ambiente). No meio do caminho ouviu um choro, parou um pouco e logo descobri de onde vinha, atrás de uma árvore estava o ogro que chorava copiosamente, a princesa estranhou, afinal não eram poucos os emails( ah, e também já existia internet) que ela recebia alertando sobre o perigo daquela criatura, juravam de pés juntos que o ogro comia gente, eca!

Ela parou um pouco e foi perguntar ao estranho ser o que havia acontecido, ele lhe disse que a única comida que tinha era a que sobrava dos pratos das pessoas do reino, e que naquele dia estava com uma tremenda indigestão porque comeu carne estragada.

A princesa estranhou um pouco, mas resolveu ajudar, tirou de sua bolsa sal de fruta e um copo( ela era muito prevenida), pegou no riacho um pouco de água e deu para o ogro tomar. O ogro bebeu  a mistura rapidamente e alguns minutos depois já estava bem. Muito educado perguntou à princesa o que podia fazer para recompensá-la, ela lhe disse que queria que o rei não jogasse mais o lixo em suas terras.

Então o ogro foi até o castelo do rei e o obrigou a fazer um depósito para selecionar e dar destino certo ao lixo. O rei ficou apavorado e desse dia em diante, nunca mais jogou lixo na propriedade alheia.

O ogro continuou com sua fama de mau, e a princesa o convidou para morar com ela em seu castelo. Desse dia em diante ele não mais comeu restos de comida e sim belos banquetes que ele mesmo preparava ou lhe eram servidos pela princesa.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O príncipe dos antúrios

Todos os dias Cristina quando ia para o trabalho passava em frente de uma casa que tinha um jardim cheio de antúrios. Achava eles lindos. Comprou alguns num viveiro, mas não deu muito certo, morreram e nem chegaram a florir.


Então teve a idéia de pedir umas mudas para o dono da casa, mas sempre que passava lá não tinha ninguém.

Decidida a ter antúrios em seu jardim, resolveu ir até a casa num sábado à tarde. Tocou a campainha, uma, duas vezes, e eis que aparece um rapaz bem apessoado e educado. Cristina pediu as mudas para o rapaz, e este além de lhe dar as mudas ainda ensinou a cultivá-los.

Enredaram numa conversa sobre a planta e quando viram já estavam se falando como velhos conhecidos.

Ele a ajudou com as mudas e a acompanhou até em casa. A princípio ficaram amigos, mas com passar do tempo descobriram que estavam apaixonados.Começaram a namorar e foram felizes para sempre.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Enfim, felizes





Mariana , gostava de passear e dançar com as amigas, não perdia uma balada, sempre bem arrumada e maquiada era a menina mais bonitas da turma, aquela que todos os meninos queriam namorar. Mas ela não dava chance, não tinha  paciência para lidar com namorados. Um dia numa festa conheceu Marcos, um rapaz bonito e gentil, ela bateu os olhos nele e se encantou, nunca tinha visto sorriso mais bonito na vida. Dali para o namoro foi um passo, não se desgrudavam mais, se falavam todos os dias e sobre todos os assuntos.Casaram-se poucos meses depois. Um ano após o casamento Mariana ficou grávida de gêmeos, mas para tristeza do casal sofreu um aborto espontâneo. No ano seguinte novamente tentou engravidar, sem sucesso. No outro ano procuraram ajuda médica e Mariana ficou grávida,  de gêmeos novamente. O casal agora  está feliz com dois filhos e esperando a chegada do terceiro. A vida sorriu para eles.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Bicharada



Desde de pequena Celina gostava de animais, gostava não, tinha verdadeira paixão pelos bichinhos, tanto que sua casa vivia cheia de gatos e cachorros que ela encontrava abandonados pela rua.


Sua mãe não gostava muito disso, afinal todo o trabalho pesado ficava para ela, já que Celina era pequena. Então, colocava os bichos para fora, mas pouco depois lá estava Celina com outro bicho doente.

Já cansada de cuidar dos bichos e da casa, a mãe da menina lhe disse que não podia mais pegar os animais para cuidar, mas que, quando crescesse poderia estudar veterinária e aí sim teria muitos bichinhos ao seu lado.

Celina cresceu e continuou gostando de animais, mas na idade de ir para faculdade, não pode cursar medicina veterinária, porque era muito pobre, e com a  faculdade em período integral ela não poderia trabalhar, então, sem muita opção, foi estudar letras.


Formou-se  e se tornou professora, mas continuou apaixonada pelos bichos, gastava parte de seu sálario com os animaizinhos da rua.

Casou-se e teve uma filha, Giovana, que herdou da mãe o gosto pelos bichinhos.O marido reclamava um pouco, mas como eram elas que cuidavam, elas nem ouviam.

Giovana cresceu, e ao contrário de Celina, pode realizar seu sonho,  formou-se médica veterinária no mesmo ano em que sua mãe abriu um asilo para animais.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Felizes para quase sempre















Marcelo  e Inês não se entendiam, casados há mais de uma década, viviam em atrito, mas levavam o casamento adiante. Não que já não tivessem se separado, eles até ficaram um tempo longe, mas os filhos e os compromissos que os uniam os fizeram voltar atrás.


Inês era uma viajante lunar e Marcelo um turrão,
desses bem cabeça dura. Para não se desgatarem tanto passaram um a ignorar os defeitos do outro, e é claro assim o casamento seguia sem maiores contratempos exceto por uma ou outra diferença de opinião.

Criaram os filhos, aposentaram-se, Marcelo comprou uma moto e foi passear pelo país, enquanto Inês ficou no sítio criando galinhas e plantando verduras.

E viveram felizes para sempre, ou pelo menos até Marcelo voltar do passeio.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Um final feliz



Janaína era um mulher batalhadora, muito séria, levava a vida da melhor maneira possível, dentro dos padrões impostos pela sociedade. Era casada com Elcio, um homem bom, mas um tanto genioso. Hora ou outra Janaína estava a resolver os chiliques dele. Tinham 04 filhos e toda a educação deles também ficava por conta de Janaína. E foi assim, numa reunião de pais e mestres que Janaína conheceu Alfredo, um homem culto e agradável.

Trocaram telefones e começaram a se falar quase todos os dias. Como Elcio passava a maior parte do tempo cuidando do próprio umbigo nem percebeu que Janaína andava mais feliz que o normal.

Um dia Janaína e Alfredo combinaram um encontro para tomar um café. Passaram a tarde inteira juntos, conversaram, riram e se divertiram, era como se fossem conhecidos há muito tempo. Foi uma tarde feliz. No final trocaram beijos e abraços e ficaram de combinar um próximo encontro, mas depois disso não mais conseguiram se encontrar. Cada um seguiu sua vida como era antes.

Anos mais tarde Janaína , já viúva, foi com o neto a um concerto e sem querer esbarrou numa pessoa, quando olhou para pedir desculpas reconheceu Alfredo. Sentaram juntos, assistiram ao concerto e nunca mais se separaram.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A lei do mais forte


Fabiana era psicóloga e trabalhava na prefeitura da cidade, visitava e dava apoio a famílias carentes.

Um dia foi chamada para um bairro perigoso, onde uma mulher era ameaçada pelo próprio marido. Quando chegou encontrou a casa toda desarrumada, a mulher machucada e aos prantos, o marido havia acabado de agredi-la. Chamou a polícia e foi conversar com a mulher.Essa lhe disse que isso acontecia sempre mas que não tinha coragem de denunciá-lo, Fabiana então, pediu que dessa vez ela desse queixa. A mulher deu queixa e foi para um abrigo da prefeitura, até que melhorasse e pudesse arrumar emprego. Fabiana voltou ao seu trabalho, pensando que tudo tinha sido resolvido.

Dias mais tarde, foi chamada novamente para o mesmo local, e ficou surpresa ao encontrar novamente a mulher, só então ficou sabendo que o marido não havia sido preso porque ela retirou a queixa e preferiu morar com ele novamente. "Quem sabe dessa vez ela tenha coragem..." pensou Fabiana, e prosseguiu com seu trabalho.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ilhados




Juliana nunca conseguiu entender Antonio, casados há mais de 20 anos ele foi aos poucos se distanciando dela.

Eles eram comerciantes e trabalhavam juntos, mas de uns tempos para cá ele deu de fazer negócios sem o conhecimento dela. Ela não ligou muito já que nunca ficaram com prejuízos.

E iam assim, levando a vida, até que um dia apareceu no portão da sua casa, alguns policiais perguntando pelo seu marido, Juliana assustou-se e começou a imaginar o que seu marido estava aprontando.Ficou surpresa quando descobriu que ele havia comprado uma ilha num rio próximo, e que, segundo os policiais estava desmatando sem autorização do Ibama, ficou mais perplexa ainda quando soube que ele até estava construindo uma casa na tal ilha.

Antonio chegou e resolveu a questão com os policiais,pagou a multa, mas não conseguiu resolver com Juliana, que furiosa pediu o divórcio e ficou com metade dos bens, inclusive com a ilha.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Na trilha


Viriato gostava de fazer trilhas com jeeps, fazia isso quase todo fim de semana.

Adorava o mato, a bicharada e a sensação de liberdade que isso dava. Solteiro, nunca a havia se apaixonado de verdade e nem pensava muito nisso.

Um dia conheceu Clarice, moça fina, de família conhecida na cidade, caiu de amores pela garota.

Começou a cortejá-la e logo foi ficando mais próximo. Começaram a namorar, e entre outras coisas, Viriato lhe dizia da sua paixão pelas trilhas.

Mas Clarice não parecia nem um pouco interessada, gostava mesmo era de shoppings e perfumes importados.

Até que um dia, após a insistência de Viriato, ela resolveu fazer uma trilha junto com ele.

Combinaram de se encontrar num posto de gasolina, de onde os carros iriam largar.

Clarice chegou no local e horários combinados. Viriato já a aguardava ansioso. Mas quase teve um "treco" quando viu Clarice, ela estava de vestido vermelho, com saltos altíssimos e toda maquiada. "Aí meu Deus!" pensou, preocupado.

Começaram a trilha, Clarice levava o mapa e lhe dizia que caminho seguir. No começo estavam indo bem, até que apareceu o primeiro obstáculo, um rio raso, cheio de crateras por onde deveriam atravessar. Clarice resmungou qualquer coisa, mas não perdeu a pose. Logo a frente apareceu uma fazenda de gados, Clarice deveria abrir e fechar a porteira, mas ela se recusou, Viriato não teve alternativa senão descer e fazer o trabalho.

O pior foi quando os mosquitos começaram a picar a pele clara da moça. Aí não teve jeito, ela começou a ficar brava e pediu que ele voltasse ou iria descer do jeep. Viriato não titubeou: largou a moça no meio do caminho, terminou a prova e nunca mais a viu.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Do impossível







Meire estava andando há horas. Não saberia dizer com precisão, quantas. Subia e descia rampas, morros e pedras. Transpirava muito. O calor era infernal. Nenhuma pista, apenas uma passarela a seguir. Logo a frente um rio e um barco. Era esse o local? ficou em dúvida, mas seguiu. Ao chegar perto a surpresa: sim, era esse o local , orquídeas azuis a aguardavam, conforme combinado. Subiu no barco e partiu, rumo ao horizonte, onde um príncipe, de olhos também azuis a esperava para serem felizes para sempre.

domingo, 23 de agosto de 2009

Trocando em miúdos

















Dirce e Otávio eram casados há alguns anos, no dia do aniversário de casamento ele deu a ela um carro 0 km, Dirce ficou feliz e um tanto preocupada, sabia que o marido era apaixonado por carros e que talvez tivesse problemas com ele. Dito e feito, no começo o marido a levava a todos os lugares, depois não conseguindo dar conta dos compromissos dela e dele, deixou que ela dirigisse, mas lhe fez muitas recomendações.

Dirce dirigia o veículo tão preocupada que hora ou outra não conseguia estacionar direito. Quando chegava em casa, Otávio corria para " inspecionar" se ela não havia arranhado o carro, se não havia encostado na guia, etc.

A gota d'agua foi quando Dirce deixou o portão bater na lateral do carro, fazendo um amassado enorme.Discutiram e chegaram a mais clara decisão: Venderiam o carro e comprariam um mais simples.Assim foi feito. Dirce ganhou sua liberdade, Otávio o sossego e vocês a história.